16 de junho de 2012

Sob(re) o brilho no olhar



-Filho chegou a hora de termos uma conversa, de homem para homem, coisa séria!
O filho apenas fita com um olhar sereno sem ao menos dizer uma única palavra.
-Temo pela tua segurança, pela tua integridade física, afinal o mundo não é mais o mesmo, também não gostaria que se iludisse ou se machucasse com as pessoas, pois muitas delas estarão atravancando o teu sucesso, e poucas delas te estenderão a mão, e dessas poucas pessoas ainda sim sairão palavras de desanimo pedindo para que desista de teus ideais.
O pai prossegue atraindo a admiração do filho, que segue calado, interessado principalmente pelos seus gestos que tornam a conversa atrativa.
-Acho até que foi um erro ter te colocado no mundo, não que eu não sonhasse com o teu nascimento, pelo contrario, contei cada minuto até que pudesse ter você em meus braços, mas eu tenho medo, pois não suportaria ver você triste, não gostaria que sentisse dor. Não sei o que aguarda por você lá fora!
A criança continua com o olhar inocente, sem entender nada, enquanto seu pai a mantém nos braços como quem protege o seu bem mais precioso. Era a inocência de quem tinha apenas 6 meses de vida...