14 de setembro de 2009

Lucidez pós morte

E ele mal sabia que sonhar era pecado, porém tornou-se um pecador. Se blindava de vida e encarava cada dia como se não houvesse o amanhã.
Escrevia besteiras, e às praticava mais ainda. Mas não deixava de ser um sonhador.
Corria durante a noite, parecia fugir de algo ou alguém. Não deixava de ser humano, sacrificando seus joelhos a terríveis penitencias.
Compreendia o amor, mas era incapaz de amar, se quer demonstrava qualquer ato de compaixão, nem mesmo repúdio. Optava sempre pelo constante silêncio.
Sentia-se vivo ao colocar os pés no chão, pois para ele era o mesmo que voar. E voar não era preciso pois o que ele almejava estava em terra.
Sucumbia de sonos e sonhos estranhos. Até fechar os olhos para nunca mais abri-los.

2 comentários:

SO.L. disse...

É a nova mania mundial: vende-se o bem e o mal.

A parte disso, temos todos os sonhos do mundo.

Gabriela Maria disse...

É um final triste - porém coerente - a abreviação de uma vida tão enigmática e aparentemente instigante... quanto a morte.