6 de agosto de 2012

Anônimos


Em seu ato de maior insanidade
disseminou palavras transcorridas dos mais puros sentimentos,
não era a alegoria crivada de planos imperfeitos,
mas sim um desabafo simultâneo dos mais lúdicos e simplórios.
Como se gritasse para o mundo as dores de um peito ensandecido
e a agonia da solidão.
Um punhado de sílabas que se fazia testamento,
que unidas e grifadas amenizavam pensamentos.
Era insensato pensar na ilusão de uma depressão profunda,
que por horas dilacerava as entranhas,
tornando assim a carne suscetível aos sentimentos.
Por não mostrar a face, era pouco compreendido,
por não encontrar o ápice tornava-se apenas mais um excluído.
Um homem sem história, nem feitos,
apenas composto de versos imperfeitos,
composto pela veracidade do amor que sentia.
Amor este que o mantinha estagnado no tempo,
como numa dimensão paralela
afim de vivenciar sempre a mesma dor.

16 de junho de 2012

Sob(re) o brilho no olhar



-Filho chegou a hora de termos uma conversa, de homem para homem, coisa séria!
O filho apenas fita com um olhar sereno sem ao menos dizer uma única palavra.
-Temo pela tua segurança, pela tua integridade física, afinal o mundo não é mais o mesmo, também não gostaria que se iludisse ou se machucasse com as pessoas, pois muitas delas estarão atravancando o teu sucesso, e poucas delas te estenderão a mão, e dessas poucas pessoas ainda sim sairão palavras de desanimo pedindo para que desista de teus ideais.
O pai prossegue atraindo a admiração do filho, que segue calado, interessado principalmente pelos seus gestos que tornam a conversa atrativa.
-Acho até que foi um erro ter te colocado no mundo, não que eu não sonhasse com o teu nascimento, pelo contrario, contei cada minuto até que pudesse ter você em meus braços, mas eu tenho medo, pois não suportaria ver você triste, não gostaria que sentisse dor. Não sei o que aguarda por você lá fora!
A criança continua com o olhar inocente, sem entender nada, enquanto seu pai a mantém nos braços como quem protege o seu bem mais precioso. Era a inocência de quem tinha apenas 6 meses de vida...

18 de maio de 2012

...


...

- Sabe desfazer nó?
- Nó de gravata!?
- Não, nó na garganta!

...

28 de abril de 2012


Se eu disser que te amo, você irá se engrandecer ao ponto de usar isso contra mim.


26 de abril de 2012

(Des)Classificado


Troca-se por reais um fusca ano 80, um corpo 87, uma alma e talvez um coração, e que os acontecimentos sejam reais. O fusca apresenta avarias, com corpo não é diferente, a alma teve um único dono e coração já não é mais o mesmo. 

Corpo completo, porém repleto de sinais que o tempo insistiu em gravar, pode servir para desmanche. Coração grande, olhos comuns, fígado comprometido (quis as desilusões que fosse assim). 

A alma é nobre, pura, leve e de valor inestimável. Já o coração é algo mais funcional, imperfeito, não aparenta ser objeto de decoração. Saliento: não é peça para colecionadora. Aliás, coração traíra este meu, se quer me obedece, e quando ama transparece... 

Vendo por questões aperto emocional, mudança de atitudes e desapego. 
Caso a compradora firmar negócio no fusca e por ventura conquistar um coração, levará também um corpo, uma alma e um punhado de chaves na outra mão... 


29 de janeiro de 2012

Rumor



O que faz você mudar de opinião?
É assim toda manhã
quando rejeita o meu corpo
ignora o que eu digo
muda a postura
muda o humor
não aceita a idéia de que me ama
junta os pertences
espalhados pelo chão
ao lado da cama
e segue a vida
sem ao menos dizer adeus
É sempre assim
abusa de mim
e depois sai enfim
contrariando os sentimentos
totalmente opostos a noite anterior
cujo o amor entre eu e você
era o empecilho para afastar dois corpos.
...
[Ela tem um jeito ingênuo
os olhos sedentos
o sono profundo
os sonhos secretos]

28 de janeiro de 2012

Ambíguo


A morte não passa de saudade sem lógica,
não mede esforços e nem olha nos olhos,
ignora e atropela sentimentos.
Tão inerte e duradoura que se faz dor,
que lateja, oprime ou apedreja o amor.
Não passa de uma disputa irracional
de onde recebemos o titulo de perdedor.